sábado, 25 de julho de 2009

nenhum pássaro voa sem vento,
nenhum homem vive sem sonho.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Para ti

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida

Mia Couto :)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

preencher.

naquele dia tudo era vazio, ela olhava à volta e nada era suficiente. tudo soava indiferente, tão diferente daquela realidade idealizada. tudo tão cada vez mais longe. ela sentia que nada voltaria a encher-se de cor e de vida. que depois dali, restava apenas abismo. uma linha ténue entre o chão e o precipício. aquele em que ela caíria para nunca mais voltar. desapareceria dentro de si mesma.

há dias assim, sem fim, sem saída. sem sentido inverso.

afinal, havia um novo mundo para lá do horizonte. e tudo foi ganhando novas formas. ela encontrou o caminho, tantos novos caminhos por onde seguir. e como é bom reencontrar-se, preencher-se...

domingo, 28 de junho de 2009

uma espécie de vacances

algarve + sbsr lisboa + road trip + paris...

sábado, 27 de junho de 2009

hoje.

hoje o mundo é meu. o sol brilha e aquece como nunca. bem-vinda esta brisa que me faz lembrar que antes do inferno está o céu. os relógios estão partidos, os ponteiros calados. morreram os tic-tacs, as buzinas, as corridas. o dia está assim: suspenso. susteve a respiração e mergulhou na quietude. eu estou suspensa também, mais leve. tão leve...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

mal por mal

Já sou quem tu queres que eu seja,
Tenho emprego e uma vida normal.
Mas quando acordo e não sei
Quem eu sou, quem me tornei
Eu começo a bater mal.
O teu bem faz-me tão mal!

Já me enquadro na tua estrutura.
Não ofendo a tua moral.
Mas quando me impões o meu bem
Eu ainda sinto aquém.
O teu bem faz-me tão mal,
O teu bem faz-me tão mal!

Sei que esperas que não desiluda,
Que por bem siga o teu ideal.
Mas não quero seguir ninguém
Por mais que me queiras bem.
O teu bem faz-me tão mal,
O teu bem faz-me tão mal!

Sei que me vais virar do avesso
Se eu te disser foi em mim que apostei.
Não, não é nada que me rale
Mesmo que me faças mal.
Do avesso eu te direi:
O teu mal faz-me tão bem!

Deolinda

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Pensar

Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.

Alberto Caeiro